Ato realizado durante os festejos de Iemanjá mobilizou comunidades quilombolas em diferentes territórios da Bahia e do Brasil
Bahia / Brasil, 2 de fevereiro — O movimento quilombola realizou, no dia 2 de fevereiro, durante os festejos de Iemanjá, o Manifesto das Águas Quilombolas, mobilização que envolveu comunidades quilombolas, associações, cooperativas, conselhos, coletivos territoriais e aliados da luta popular em diferentes territórios da Bahia e do Brasil, em defesa das águas, dos territórios e da vida.
A mobilização denunciou a violência ambiental histórica que afeta rios, manguezais, lagoas e mares há mais de 100 anos, resultado da ação predatória de empresas privadas, da ausência de saneamento básico e da omissão continuada do Estado. Para o movimento quilombola, a degradação ambiental nos territórios tradicionais não é um acidente, mas consequência direta de um modelo de desenvolvimento excludente, racista e concentrador de poder.
Durante os atos, o movimento quilombola reafirmou a articulação entre espiritualidade, organização popular e ação política institucional como estratégia central de enfrentamento à crise ambiental. O lema “rezar, organizar, lutar e ocupar o poder” sintetizou o caminho apresentado para garantir justiça ambiental e proteção dos territórios quilombolas.
No contexto do Manifesto das Águas Quilombolas, o movimento anunciou que está organizado para apresentar, de forma coletiva, pré-candidaturas quilombolas nas eleições de 2026, com foco em cargos estratégicos do Legislativo, incluindo o Senado Federal, a Câmara dos Deputados e as Assembleias Legislativas. As pré-candidaturas estão distribuídas em diferentes legendas partidárias — PT, PSB, REDE, PSOL, PV, MDB, PDT, AVANTE, PODEMOS e PRD — refletindo a diversidade política do movimento e um compromisso comum com a defesa das águas, dos territórios e dos direitos quilombolas.
O Manifesto das Águas Quilombolas marcou o início de um ciclo político de cinco eleições — 2026, 2028 e 2030 —, no qual o movimento se organiza para manter vereadores e vereadoras quilombolas eleitos, ampliar o número de prefeitos e prefeitas quilombolas e eleger deputados, deputadas e senadores quilombolas na Bahia, no Nordeste e no Brasil. A estratégia busca transformar a luta espiritual e territorial em incidência institucional concreta, garantindo emendas parlamentares, projetos estruturantes e políticas públicas que cheguem diretamente aos quilombos.
A mobilização também convocou à unidade povos indígenas, comunidades de fundo e fecho de pasto, povos ciganos, pescadores e marisqueiras, povos de terreiro, movimentos ambientais, juventudes, mulheres, trabalhadores do campo e da cidade, fortalecendo uma frente ampla em defesa da vida, das águas e da democracia.
Com faixas, símbolos religiosos, cânticos e palavras de ordem, o movimento quilombola ecoou em diferentes territórios a mensagem de que sem quilombolas no poder, os rios morrem; com quilombolas no poder, as águas vivem.




