sexta-feira, 17 de abril de 2026

Deputado Leur Lomanto destina quase meio milhão em emenda a time de futebol que é presidente

Leur Lomanto Júnior (União-BA) mandou emenda de R$ 490 mil para clube em que é presidente de honra

Presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, o baiano Leur Lomanto Júnior (União) destinou R$ 490 mil em emenda parlamentar ao clube Associação Desportiva de Jequié (ADJ), o qual ele é presidente de honra.

O deputado foi presidente do clube até outubro de 2025, quando o cargo foi passado para Eduardo Pax e ele se tornou presidente de honra.

Ao ser questionado, o deputado negou qualquer irregularidade. “Trata-se de uma entidade sediada no município de Jequié, no interior do estado da Bahia, que atua na promoção e no desenvolvimento do futebol feminino e masculino”, destacou.

Lomanto Júnior ressaltou, ainda, que não exerce qualquer cargo de gestão na associação e que o título de presidente de honra foi apenas “uma homenagem simbólica, em reconhecimento aos serviços já prestados ao clube, sem qualquer função administrativa”.

Porém, Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) apresentou representação em que pede avaliação do tribunal sobre possível conflito de interesses no envio de emenda parlamentar do deputado.

representação se baseia em reportagem publicada pela coluna sobre a destinação, pelo parlamentar, de R$ 490 mil em emenda parlamentar individual à Associação Desportiva Jequié (ADJ), clube de futebol localizado no município de Jequié (BA).

O subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado, autor da representação, também pede a avaliação relativa a possível descumprimento dos princípios da moralidade e impessoalidade, previstos na Constituição Federal

Ele ressaltou que a prerrogativa de apresentar emendas ao orçamento não se “converte em licença para atender interesses particulares, tampouco para privilegiar entidades às quais o próprio parlamentar esteja ligado, seja por vínculos de direção, seja por laços honoríficos que, na prática, mantêm sua associação com a instituição beneficiada.”


Erros em obra da Vila Gastronômica no Banco da Vitória alagam casas e revoltam moradores


Moradores da Rua São Pedro afirmam que, após a construção de canteiros acima do nível das residências, qualquer chuva invade imóveis. Prejuízos já afetam comércio local e há ameaça de interdição da BR-415.

A promessa de revitalização do Banco da Vitória, em Ilhéus, com a criação de uma Vila Gastronômica, se transformou em dor de cabeça para moradores da Rua São Pedro. A obra, orçada em R$ 1.652.000,00 (um milhão, seiscentos e cinquenta e dois mil reais), teve início em outubro de 2025 e tem previsão de conclusão em seis meses, mas já acumula reclamações graves.

Segundo os residentes, os problemas começaram com a construção de canteiros elevados acima do nível das casas. Em dias de chuva — mesmo com precipitações consideradas fracas — a água escorre para dentro das residências e pontos comerciais, causando perdas materiais e transtornos.

Em contato com a reportagem, Juarez, morador antigo do Banco da Vitória, relatou a situação desesperadora. “Isso não acontecia antes da obra. Já falamos com a empresa, com a prefeitura, e ninguém toma providência”, desabafa. Ele conta que, depois do início das intervenções, não consegue mais alugar seu ponto comercial, pois o imóvel é invadido pela água a qualquer chuvinha. A residência do próprio Juarez também sofre com o mesmo problema.

Inconformados, outros moradores já articulam uma manifestação mais radical: fechar a rodovia BR-415, trecho que liga Ilhéus a Itabuna, para chamar a atenção das autoridades competentes.

A obra é de responsabilidade do governo do Estado da Bahia, mas está sob fiscalização da prefeitura de Ilhéus. Os moradores pedem que a empresa responsável realize um estudo técnico antes de prosseguir com os canteiros, para que sejam adotadas soluções que impeçam o alagamento das casas e lojas situadas entre a BR-415 e a Rua São Pedro.

O espaço segue aberto para que a Prefeitura de Ilhéus e o Governo do Estado da Bahia se manifestem sobre a situação.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Ex-presidente do BRB preso pela PF, concedeu financiamento milionário a Flávio Bolsonaro

Paulo Roberto Costa era o presidente do Banco de Brasília em 2021, e liberou R$ 3,1 milhões para que Flávio Bolsonaro (PL) comprasse um imóvel de R$ 6 milhões no luxuoso Setor de Mansões de Brasília
Vorcaro, Paulo Henrique Costa, Flávio Bolsonaro

A prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, na manhã desta quinta-feira (16), recolocou sob atenção um episódio envolvendo a concessão de crédito milionário ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A detenção ocorreu no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de recebimento de vantagens indevidas relacionadas ao Banco Master, levantando questionamentos sobre decisões tomadas durante a gestão do executivo à frente da instituição financeira pública.

O financiamento em questão foi liberado em 2021, quando o BRB aprovou um empréstimo de R$ 3,1 milhões para a compra de uma residência de alto padrão no Lago Sul, em Brasília, avaliada em R$ 5,9 milhões. O contrato previa pagamento em 360 parcelas, dentro de uma linha de crédito imobiliário. À época, a operação chamou atenção e acabou judicializada após contestação sobre a compatibilidade da renda declarada pelo senador e sua esposa com as exigências do próprio banco.

A ação foi movida no Distrito Federal pela deputada Erika Kokay (PT), que apontou divergências entre os rendimentos do casal, cerca de R$ 36,9 mil mensais, e o valor mínimo estimado pelo simulador do BRB para aprovação do crédito, que seria superior a R$ 46 mil. O caso passou a tramitar na Justiça, gerando debate sobre critérios adotados na análise de risco e concessão do financiamento.

Durante o andamento do processo, o empréstimo foi quitado antecipadamente, em um período de três anos, reduzindo significativamente o prazo inicialmente contratado. Em decisão proferida em julho de 2025, a 1ª Vara Cível de Brasília concluiu que a operação seguiu parâmetros considerados regulares dentro das práticas comerciais da instituição.

Flávio Bolsonaro quitou o saldo devedor da mansão de forma fulminante. A quitação de R$ 3,4 milhões foi realizada através de seis pagamentos extras atípicos. Os valores individuais das parcelas espantam pela magnitude: R$ 198.150; R$ 355.000; R$ 420.000; R$ 680.000; R$ 750.000 e um último aporte de R$ 997.000. O senador alega que os valores vieram de sua antiga franquia de chocolates e de seu salário, mas a robustez desses depósitos em um curto intervalo de tempo ainda carece de esclarecimento e deveriam ser investigados pelo PGR.




Ex-deputado federal Uldurico Júnior é preso por suspeita de receber R$ 2 milhões para facilitar fuga de 16 detentos na Bahia




Com informações do G1 Bahia

O ex-candidato a prefeito de Teixeira de Freitas, Uldurico Júnior, investigado pela Polícia Federal por suposta aliança com chefes de facções criminosas na Bahia, foi preso nesta quinta-feira (16), em um hotel localizado em Praia do Forte, distrito turístico de Mata de São João, na Região Metropolitana de Salvador.

Segundo o Ministério Público da Bahia (MP-BA), as investigações apontam que Uldurico Júnior, que também é ex-deputado federal, negociou com uma organização criminosa recebimento de R$ 2 milhões para facilitar a fuga de 16 internos do Conjunto Penal de Eunápolis, ocorrida em dezembro de 2024.

Entre os presos que fugiram está Ednaldo Pereira de Souza, conhecido como "Dada", apontado como chefe do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), facção com atuação regional e vínculo com o Comando Vermelho.

De acordo com o MP-BA, as investigações apontam que Dada se encontra atualmente no Rio de Janeiro, de onde continua comandando ações criminosas na região de Eunápolis.

Uldurico Júnior possui uma relação com a ex-diretora do presídio de Eunápolis, cidade do extremo sul do estado, acusada de facilitar a fuga de detentos em dezembro de 2024.

Além dessa investigação, Uldorico foi citado em uma outra denúncia, feita ao Ministério Público no ano passado, que trazia detalhes sobre as ações de Joneuma Silva Neres, que foi diretora do Conjunto Penal de Eunápolis.

As investigações apontam que Joneuma mantinha um relacionamento com Ednaldo Pereira de Souza, o "Dadá", apontado como chefe de um grupo criminoso de Eunápolis e interno do presídio. A denúncia detalha que ela começou a trabalhar politicamente a favor da organização criminosa e organizava encontros entre Dadá e Uldurico Júnior, então candidato a prefeito de Teixeira de Freitas.

Bebeto Galvão e dirigentes sindicais representam classe trabalhadora da Bahia na CONCLAT 2026


Brasília foi palco, na última quarta-feira (15), do mais importante encontro de articulação sindical do país: a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (CONCLAT 2026). Como parte da agenda, o presidente Lula se reuniu no Palácio do Planalto com 30 dirigentes sindicais de todo o Brasil para apresentar os encaminhamentos do governo. Entre eles, representando a Bahia, esteve o pré-candidato a deputado federal Bebeto Galvão, que acompanhou em primeira mão os anúncios históricos feitos pelo chefe do Executivo.

O encontro contou ainda com as presenças do vice-presidente Geraldo Alckmin e dos ministros Guilherme Boulos, José Guimarães e Luiz Marinho. Em entrevista durante o evento, Bebeto disparou contra os setores que tentam desmobilizar a categoria.

"No Brasil, nós estamos vivendo um certo terrorismo apresentado por setores da imprensa e setores do empresariado, que fazem o que fizeram em outros períodos”. E acrescentou. “Disseram que o fim da escravidão representaria o fim da atividade produtiva, o fim da produção agrícola para exportação. E dando um salto na história, fizeram o mesmo com a redução da jornada de 48 para 44 horas, dizendo que o Brasil quebraria, que haveria fuga de capitais e demissão em massa. E nada disso se configurou. Agora, mais uma vez, fazem uma chantagem pública".

Bebeto também enfatizou o impacto social da medida, especialmente sobre as mulheres. "Os trabalhadores ficam numa jornada 6x1, com um prejuízo muito maior para as mulheres que, chefiam mais da metade dos lares brasileiros e só dispõem de um dia na semana para cuidar dos filhos, da educação e da saúde. Isso significa que elas sofrem uma jornada mais exaustiva e carregam sozinhas o peso econômico, emocional e social de suas famílias”.

Na ocasião, Lula apresentou os fundamentos para o fim da escala 6x1 e a instituição da jornada de 40 horas semanais sem redução salarial, além de assinar, diante dos presentes, o documento para regulamentar a norma 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que assegura aos sindicatos o direito à negociação coletiva no serviço público federal, estadual e municipal. A reunião também serviu para que as centrais sindicais entregassem a Pauta da Classe Trabalhadora, com 68 propostas para o período de 2026 a 2030.

Bebeto definiu o momento como decisivo para o país. “Precisamos promover uma verdadeira revolução cultural no Brasil, transformando as referências que hoje, infelizmente, estão marcadas pela violência e pela desordem. Essa mudança não é apenas desejável, ela é necessária. E esse também é um papel fundamental do Parlamento. Nós esperamos que o parlamento seja capaz de compreender o que a grande maioria da população brasileira quer. E os números são claros. Cerca de 80% dos brasileiros desejam o fim desse cenário que tanto nos prejudica. O presidente Lula já encaminhou o tema em regime de urgência”.

A força da mobilização, porém, também foi demonstrada na Marcha da Classe Trabalhadora, que tomou a Esplanada dos Ministérios com a participação de cerca de 10 mil pessoas de todas as regiões do país. Ao lado de Bebeto, marcaram presença no ato o presidente da Força Sindical Bahia, Emerson Gomes, o presidente do SINTEPAV Bahia, Irailson Warneaux (Gazo), bem como outras lideranças sindicais do estado.