A professora Adélia Pinheiro (PT) defendeu políticas que mantenham os jovens na escola, respeitem diferentes ritmos de aprendizagem e ampliem o acesso à universidade e ao mundo do trabalho. A candidata a deputada federal abordou o tema em entrevista concedida nesta quinta-feira (20) ao Aborduna Podcast, produzido e apresentado por Rafael Santos.
“Um estudante, um jovem, pode escolher ser pedreiro, sem problema. O que eu discuto é que ele não pode ser obrigado a ser o que o pai é por falta de oportunidade”, afirmou Adélia.
Ao criticar quem se opõe às políticas de permanência escolar, a candidata relacionou o debate à reprodução das desigualdades. “Na verdade, esse grupo utiliza a educação como uma forma de exclusão e de repetição de padrões sociais. O que eles defendem é que o filho de pedreiro não possa ser engenheiro”, disse.
Adélia citou o regime de progressão parcial adotado pela rede estadual. O modelo permite que o estudante avance para a série seguinte e refaça somente as disciplinas nas quais não foi aprovado. “Isso é uma oportunidade. Foi uma estratégia importante que o Governo do Estado da Bahia passou a adotar, que garante a presença do estudante na escola e diminui a evasão escolar”, explicou.
Segundo Adélia, obrigar o aluno a cursar novamente todas as disciplinas aumenta o risco de abandono. “Quando o estudante é reprovado, ele repete as matérias em que já demonstrou conhecimento junto com aquelas em que ainda não alcançou a aprovação. Isso, para a juventude atual, é de muito desestímulo, e a gente por isso perdia muitos estudantes.”
A candidata também citou as escolas de tempo integral abertas às famílias e às comunidades. Um dos exemplos foi o Colégio Estadual de Tempo Integral Nelson Schaun, em Ilhéus, que recebe atividades esportivas, oficinas e aulas de boxe. A modalidade começou voltada às meninas e já revelou atletas que participam de competições.
“Esse é o papel da escola: atrair a família, atrair a juventude e fazer com que o estudante esteja aprendendo em um lugar de segurança”, afirmou.
Professora, ex-reitora da Universidade Estadual de Santa Cruz e ex-secretária da Educação da Bahia, Adélia pretende levar essa experiência para a Câmara dos Deputados. Entre suas prioridades estão o financiamento da educação pública, a ampliação do ensino integral, a permanência estudantil e o acesso à educação técnica e superior.