terça-feira, 1 de abril de 2025

Ex comandante do Corpo de Bombeiros da Bahia questiona sua exoneração na solenidade de posse do substituto

O clima ficou tenso e o constrangimento foi enorme durante a posse do novo comandante do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia nesta segunda 31 de março



A solenidade de transmissão de comando do Corpo de Bombeiros da Bahia, nesta segunda-feira (31), no Instituto Militar de Ensino Superior de Bombeiros (Imesb), em Simões Filho, foi marcada por um discurso constrangedor do ex-comandante, o coronel Adson Marchesini, dirigido diretamente ao governador Jerônimo Rodrigues (PT). Ao se despedir do posto, em atitude sem precedentes na história da corporação, Marchesini questionou Jerônimo sobre o motivo de sua exoneração, revelando que a decisão do petista de substituí-lo “doeu muito nele”. A atitude do militar levou os presentes à mais completa estupefação.

"Quando tomei conhecimento que fui exonerado, não vou mentir, fiquei muito triste com o senhor [Jerônimo]. Não tenho raiva, mas aquele sentimento de dor. O que foi que eu errei para ser exonerado do Corpo de Bombeiros, uma instituição que eu lutei?", disse. A fala inesperada surpreendeu o público.

A cerimônia marcou a posse de Aloísio Mascarenhas Fernandes como novo comandante, no Instituto Militar de Ensino Superior de Bombeiros (Imesb). Marchesini ainda falou sobre o dia que foi exonerado. 

O ex-comandante disse que não dormiu na noite que soube da notícia. Sua exoneração foi publicada no Diário Oficial de terça-feira (25). "Eu não dormi aquela noite. Fiquei buscando uma resposta. Não vou mentir ao senhor, doeu demais. Foi a primeira vez que vi minha filha chorando muito", completou. Ele estava no cargo desde 2021.

Ele perdeu a posição no bojo de uma elogiada mudança que o governador fez na cúpula das polícias estaduais de forma a adequá-la à gestão do secretário de Segurança Pública. Por este motivo, as declarações do ex-comandante foram também interpretadas como uma resposta de todos aqueles que foram repentinamente substituídos pelo governo, criticado nos bastidores por não ter se preocupado em realocar os ex-auxiliares em outras posições. A excessiva proximidade dos policiais com o vice-governador Geraldo Jr. (MDB) teria sido outro deflagrador das mudanças por Jerônimo.

O novo comando encontrou, por exemplo, cinco carros do Corpo de Bombeiros servindo ilegalmente a familiares do vice, atitude, segundo assessores, considerada uma traição por Jerônimo. Geraldo Jr., por sinal, assistiu à toda cena tentando fazer cara de paisagem.

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